dr ely toscano

 

Patrono: João Tranchesi - Cadeira 14

Copatrono: Ely Toscano Barbosa (passou a  Emérito em 30/03/2010)

 

Ocupante atual:Maria Mouranilda Tavares Schleicher

Curriculo:

Médico gaúcho, foi o primeiro chefe e responsável pela estruturação da Unidade de Cardiologia do Primeiro Hospital Distrital de Brasília, atual Instituto Hospital de Base. Em sua formação como especialista em doenças cardíacas, permaneceu em estágio, durante um ano e meio, no Instituto Nacional de Cardiologia do México (1954-1955), instituição com marcada contribuição à cardiologia clínica brasileira. Complementou sua formação, em hemodinâmica, na Clínica Mayo, Estados Unidos (1955-1957).

Em seu retorno à clínica, descreveu o padrão eletrocardiográfico do defeito congênito do canal atrioventricular e identificou as alterações do campo elétrico como distúrbio de condução intraventricular ainda não reconhecido na época. Foi comprovado, experimentalmente, onze anos depois, como hemibloqueio anterossuperior esquerdo. Essa contribuição científica resolveu uma preocupação das equipes de cardiologia, pois permitiu a diferenciação pré-operatória de uma comunicação interatrial (CIA) com o defeito do canal atrioventricular.

Publicou vários trabalhos com interesse de âmbito internacional, em especial o ECG em um simpósio de CIA que 25 anos depois, foi considerado, pelo editor do AJC-1958, William Robert, a melhor contribuição da publicação, concorrendo, entre outras com a de Mason Sones, isto é, Cinecardigraphic Findings in Congenital Heart Diseases.

Em 1960, foi convidado para instalar o serviço de cardiologia do Primeiro Hospital Distrital de Brasília. Foi quando se casou com a ginecologista Jurema Toscano Barbosa. No terceiro dia, em plena lua-de-mel, os recém-casados dormiram no chão, em um improvisado apartamento, três dias antes da inauguração da nova cidade, ainda em obras. Três meses depois da inauguração da cidade, por ocasião do VI Congresso Interamericano de Cardiologia, no Rio de Janeiro, ciceroneou 29 dos 42 cardiologistas estrangeiros convidados, para conhecer a nova capital do Brasil.

Como Presidente do XXXV Congresso, realizado em Brasília, em 1979, elaborou, pela primeira vez na história da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), um minucioso relatório, que apontou as falhas, os acertos e as sugestões que transformaram o evento “orquestrado por um só homem” em uma organização institucional. No Congresso seguinte, foi implantada sua sugestão da Central de Eventos e da Comissão Científica específica dos Congressos.

Foi Vice-Presidente e Presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (1980-1981) e, nessa função, iniciou a campanha para contratação de um administrador para aperfeiçoamento organizacional da instituição, o que veio a acrescentar à Sociedade

Sua ideia de publicação das memórias da SBC foi implantada por Ênio Cantarelli com a publicação dos livros – SBC: Cinquenta Anos de História, por Rafael Luna, e Os Cinquenta Anos de Congressos. Publicou ainda a monografia Contribuição Brasileira à Cardiologia Universal, em comemoração aos sessenta anos da SBC.

Livre-docente em Cardiologia, consegui instalar um serviço de cardiologia modelar no Primeiro Hospital Distrital de Brasília. Este serviu de estrutura para estágio oficial de formandos de várias universidades e da formação curricular da própria Universidade de Brasília. Propiciou, assim, a formação de centenas de cardiologistas, hoje em atividade em todo o País.

Desde a década de 1960, apresentou trabalhos científicos nos congressos da SBC, que foram depois publicados, bem como elaborou capítulos de livros didáticos na sua especialidade. Seu nome foi incluído entre os profissionais memoráveis da SBC.

Na década de 1990, idealizou a criação do Museu da SBC. Como contribuição, forneceu todas as publicações de sua coleção de programas, temas livres, crachás e planilhas que guardara desde seu primeiro congresso em 1958.

Lembra, com orgulho o árduo trabalho de dez anos como membro e Presidente da Comissão de Legislação e Ética Profissional e a implantação, em ato pioneiro, no Congresso de Belo Horizonte, 1993, do processo eleitoral automatizado, via computador e, finalmente, o planejamento do sistema eleitoral, por via da internet, em 2000, que mereceu elogios do Tribunal Eleitoral.

Seu maior orgulho é o de ter dado continuidade às modificações estatutárias até 2000, sucedendo os trabalhos de Reinaldo Chiaverini e Rubens Maciel. Costumava dizer que “o Presidente da Sociedade tem que administrar com o Estatuto debaixo do braço”.

Não deseja ser reconhecido na SBC pelos cargos, trabalhos ou ideias, mas como o “Escravo da Ditadura da Constituição da SBC”.

(Fonte: Jornal de Cardiologia (Sociedade Brasileira de Cardiologia) nov-dez p. 38-39, 2006, on-line)